Perfis dos empreendedores no Brasil

A participação das mulheres em novos empreendimentos - aqueles com menos de três anos e meio de atividade - também salta aos olhos; 52,2%. Apesar da ascensão, elas ainda não são maioria à frente dos negócios já estabelecidos. Mas não é um problema exclusivo daqui; estima-se que levará 81 anos até que se consiga superar a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho em todo o mundo, segundo a pesquisa "The Global Gender Gap Report", produzida anualmente pelo Fórum Econômico Mundial. O Brasil, por exemplo, ocupa a 71ª posição entre 142 nações analisadas que mais tratam os gêneros como iguais.   

Ao mesmo tempo em que as universidades - e hoje em dia até mesmo as escolas de ensino fundamental - passaram a incluir o tema como disciplina, viu-se também jovens brasileiros começarem cada vez mais cedo a transformar suas ideias em negócios. A faixa etária com maior número de empreendedores, atualmente, está entre os 25 e 34 anos (21,9%), seguida por aqueles que estão entre 35 e 44 anos (19,9%), segundo dados da pesquisa GEM.         

Dinheiro na mão

Hoje, cerca de 75% das pequenas e microempresas brasileiras têm sobrevivido aos primeiros dois anos de existência, de acordo com um estudo feito em 2013 pelo Sebrae. O índice ainda é baixo, mas está melhor que em pesquisas anteriores.                   

"O principal fator de mortalidade ainda é a má gestão e a falta de planejamento. Às vezes a maturação de um investimento demora 36 meses, mas a pessoa está na cultura do trabalho e acha que a resposta vem imediatamente. Então precisa se preparar para isso, ter capital de giro e não se endividar", aconselha Luiz Barretto.

Para Francilene Procópio Garcia, presidente da Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), a combinação de diferentes tipos de recursos financeiros é fundamental para que um negócio evolua e tenha alto impacto. "Tem que correr atrás e tentar os meios de apoio. Desde o dinheiro do bolso, aquele investimento inicial que o empreendedor faz com a ajuda da família, passando pelo investidor-anjo, aceleradoras, crédito com facilidade e fundo garantidor de aval -porque ele não tem garantia real para dar e não vai conseguir empréstimo - e chegando até ao capital de risco de uma forma mais robusta, tudo é necessário para que uma empresa se desenvolva", afirma.          

Ter dinheiro vai sempre ajudar o negócio, mas a ideia de fazer muito com pouco ganha mais valor no empreendedorismo. "Num bairro não pode ter dez farmácias ou dez padarias, por exemplo. Você tem que se adaptar aos territórios, é uma regra de mercado, há concorrência", diz Luiz Barretto.           

O presidente do Sebrae Nacional diz que, se tivesse que escolher um negócio no Brasil para investir, apostaria em serviços. "Essa é uma área que cresce muito dentro e fora do Brasil, incluindo bares, restaurantes, serviços pessoais, negócios relacionados a aplicativos e que hoje fazem parte do mundo cotidiano", afirma.

Fonte: Por Mariana Tramontina - tabuol